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Windows faz 25 anos como líder do presente, mas ainda sem pé no futuro

Em uma época na qual os PCs para uso profissional tinham, em média, cerca de 0,1% da potência de uma máquina doméstica vendida por cerca de R$ 1 mil hoje em dia, decidir desperdiçar poder de processamento com firulas como gráficos e ícones parecia uma aposta insensata.

A Apple, que havia embarcado nesse caminho, parecia caminhar para o mercado de nicho. Enquanto isso, a plataforma PC, criada pela IBM, transformava em padrão comandos de texto como “dir”, “cd..”, “copy”, do sistema operacional DOS. Por que então a empresa de Bill Gates, dona do DOS, decidiria gastar tempo – e dinheiro – em algo que, em princípio, servia para deixar o computador mais lento?

Vinte e cinco anos depois da chegada ao mercado de sua primeira versão, que aconteceu em 20 de novembro de 1985, o Windows está presente em mais de 90% dos computadores pessoais do mundo. Nesse período, o programa deixou de ser uma extensão do DOS – como foi até o surgimento do Windows 95 – para se transformar em um sistema operacional completo.

Mais: ao entender que os computadores iriam se desenvolver até o ponto em que a exibição de gráficos seria algo trivial, e que era mais importante facilitar o uso do que investir em potência, a Microsoft conseguiu democratizar o uso do PC.

O ambiente gráfico, é claro, não foi invenção da empresa de Bill Gates. Nem mesmo da Apple de Steve Jobs, que, com o Lisa, já utilizava o conceito de ícones para representar arquivos e programas. No DNA de ambos os sistemas está o NLS, programa desenvolvido em meados dos anos 60 pelo pioneiro da computação Douglas Engelbart.

Inspirado no Memex, máquina sonhada pelo também americano Vannevar Bush 20 anos antes, Engelbart queria usar os computadores para expandir a capacidade de pensamento do ser humano. Para acessar informações dispostas em uma tela, ele movimentava uma pequena caixa com botões e engrenagens.

Este primeiro mouse foi cair nos colos da Xerox, quando a empresa adquiriu toda a produção do laboratório de Engelbart – o Augmentation Research Center, parte do Stanford Research Institute  – como ponto de partida para pesquisas que buscavam entender como funcionariam os escritórios do futuro.

Com o mouse e a a semente do ambiente gráfico nas mãos, os pesquisadores do Xerox PARC – sigla para Palo Alto Research Center, nome do laboratório da empresa no coração do Vale do Silício, na Califórnia – criaram em 1973 um modelo que até hoje não foi substituído: a chamada “metáfora do desktop”. Ou seja: a tela do computador deveria imitar uma escrivaninha de trabalho, com reproduções digitais de equipamentos que já faziam parte do dia a dia do funcionário comum americano.

É por isso que, quando pensamos nos programas e funções mais básicas de um computador, pensamos em pastas, blocos de notas, relógios, agendas e calendários: tudo vindo de cima de nossas mesas de trabalho. A exceção é a lixeira, que normalmente fica no chão…

Há diversas versões de como o mouse e o ambiente gráfico, desprezados pela Xerox, foram reaparecer em produtos da Apple e da Microsoft. A mais popular é retratada no livro “Fogo no Vale”, de Paul Freiberger e Michael Swaine, que em 1999 foi adaptada para o cinema no filme “Piratas do Vale do Silício”. Steve Jobs compra o direito de pilhar as criações do PARC, e depois vê suas próprias versões do ambiente gráfico “inspirando” o produto da empresa de Bill Gates.

É ficção demais. A verdade é que tanto a Apple quanto a Microsoft recrutaram pesquisadores do PARC, que levaram com eles a cultura computacional que era discutida no laboratório da Xerox. A Apple, por exemplo, recrutou Alan Kay, gênio da usabilidade que advogava, já naquela época, que um computador deveria ser mais fácil de operar que uma televisão ou um forno de micro-ondas. O programador Lee Jay Lorenzen criou, para a Microsoft, um dos primeiros ambientes gráficos para DOS, o GSX, anos antes da companhia de Redmond lançar o primeiro Windows.

Futuro
O domínio da era do PC fez com que a Microsoft estivesse presente em 9 em cada 10 dos mais de 1 bilhão de computadores pessoais existentes em atividade atualmente, segundo dados da consultoria Gartner. A cada ano, cerca de 300 milhões de novos computadores com Windows são vendidos no mundo.

O mercado de PCs tradicionais, no entanto, já não cresce tanto quanto o de equipamentos mais simples e portáteis, como tablets e smartphones. Aparelhos com o iPhone, da Apple, e a família Android, do Google, fizeram a venda dos chamados celulares inteligentes dobrar entre 2009 e 2010, atingindo 80 milhões de unidades só no 3º trimestre deste ano. O mercado de tablets, praticamente reinventado pela Apple com o anúncio do iPad em janeiro, deverá ser de 55 milhões de unidades no próximo ano. A participação da Microsoft nestes dois setores? 3% e 0%, respectivamente.

Os sistemas Mac e Linux, que nunca incomodaram o Windows na disputa pelo usuário final, brigam pelo controle do mundo da internet móvel. A Apple, de quem a Microsoft tomou a liderança entre os sistemas operacionais no início dos anos 1980, não tem problema para vender os iPhones e iPads que é capaz de produzir. O Google Android, com pouco mais de dois anos de vida, já está presente em mais de 250 modelos de telefones e tablets.

Para se recuperar, a ex-maior empresa de tecnologia do mundo – superada em valor de mercado pela Apple em 2010 – decidiu começar do zero: tudo o que havia sido feito em sistemas operacionais para celulares foi para o lixo. Mas diferentemente da chegada do Windows 1.0, há 25 anos, a jogada da Microsoft não é lida como ousada, mas sim como necessária.

Fonte: G1

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19 nov 2010 | Postado por em Notícias | 0 Comentários

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